terça-feira, 4 de março de 2014

                                      
                                                  CRÔNICA
                            

                                  A PLANEAÇÃO DE UM CACHORRO




 Saía do trabalho por volta das 22h, a avenida com pouca iluminação e totalmente deserta, podia observar o velocímetro do carro, marcando 20 km por hora, não andei muito e já estava na rua de minha casa, dela podia ver a claridade dos relâmpagos que cortava o céu e mostrá-la totalmente clara, o meu semblante demonstrava cansaço, porém o contentamento era transparente ao pensar em meu simples e aconchegante quarto em minha casa, toda arrumada para alguém que vai dormir, já que encontraria da mesma forma que deixei pela manhã quando saí para o trabalho. Ao virar o volante lentamente do carro, buscando o desvio da calçada que direciona à garagem, desviei o olhar para um depósito de gás recém-inaugurado aqui na minha cidade, esse com um muro não muito alto o separa de meu quintal e por segundos percebi que Ponte Branca evoluiu em relação ao tempo que aqui cheguei, neste momento voltei à realidade deparada com um cachorro que ali faz a vigilância, fitei firmemente o animal que me respondeu ladrando fortemente, furioso com a gana de colocar suas garras em mim, ele avançou à grade de aço que nos separava além do carro claro e podia notar sua decepção, aliviada desviei o olhar segui estacionando o carro, abri minha casa, adentrei o corredor que me levava até meus aposentos. Era uma noite de quarta-feira que para meu desespero estava apenas começando, eu sempre chamada boa de cama pois sempre adorei dormir muito, estava prestes a passar uma das piores noites da minha vida, ouvia angustiante o tic tac do relógio, aquele cachorro que encontrara ao chegar em minha casa tornou a minha noite um inferno pois latia e uivava incansavelmente que me fez ouvir seus pensamentos. ( voz firme e grossa) “ Hoje você não vai usufruir dessa sua caminha, eu passo noites e noites acordado, desejo ardentemente que passe sua noite como eu, com os olhos bem abertos, atento a tudo que se passe a sua volta”. Ao viajar mergulha nas imaginações desse cachorro que já conhecia bem minha janela, pude voltar à dura realidade com o ardente som do despertador que penetrou fundo aos meus ouvidos e percebi que amanhecera, me levantei mais cansada do que quando havia chegado na noite anterior, tomei um banho e saí para enfrentar mais um dia de trabalho, mesmo após o banho sentia meus olhos ofuscando areia e saí com o rosto ainda todo amarrotado.

autora: Sandra Regina Monteiro Mendonça

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